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Júnior Victor Gill Ramirez//
Paulo Cal�ade diz que abismo ainda pode aumentar

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É consenso entre jogadores, técnicos, dirigentes, torcida e imprensa que o futebol brasileiro precisa melhorar muito. Mas com o calendário sufocante para as grandes equipes, o nível técnico de jogo cada vez mais distante do que se vê lá fora e mudanças constantes provocadas pela falta de convicção, essa tarefa parece cada vez mais difícil. E na visão de Paulo Calçade, comentarista dos canais ESPN, esse ‘abismo’ só vai aumentar se algo não for feito. Em entrevista ao Correio Popular durante a entrega do prêmio Bola de Prata, na última segunda-feira, o jornalista pontuou as deficiências que vive o país pentacampeão do mundo e disse que é preciso parar de ‘viver de cópia’. Calçade usa o exemplo da Seleção Brasileira para confirmar essa tese, afinal desde 2002 o país não alcança uma decisão de Copa do Mundo. “A gente precisa reformar muita coisa aqui no futebol brasileiro. Infelizmente, pouca gente percebeu isso. Temos que admitir que o futebol mudou muito. Temos talentos, mas talentos sem organização técnica e tática podem ser perder”, disse. “Se não parar para refundar o futebol brasileiro, essa diferença vai continuar aumentando. Não dá para comparar as populações de Brasil e Bélgica e ver os jogadores que eles estão produzindo. Isso não é sorte, é trabalho”. Entre os problemas que ‘colaboram’ para esse momento complicado, o comentarista vê alguns como principais. Um deles é a pobreza do futebol, causada pelas abruptas mudanças de filosofia e conceitos. “Temos um futebol feio e usado para se defender. O treinador defende o emprego, os jogadores também defendem isso e essa busca por sobrevivência torna o jogo pobre, sem arriscar, sem brilho e com uma série de trocas que impedem que possamos valorizar coisas que interessam”. Outro ponto em que Calçade pede reflexão diz respeito ao calendário. O jornalista defende a manutenção dos Estaduais, principalmente por conta dos pequenos, mas diz que é necessária uma adaptação que torne os campeonatos interessantes para todos. “O Estadual já foi a cerejinha do bolo, hoje não é mais. O Estadual coloca muitos jogos na conta de equipes grandes e poucos para os pequenos. Os pequenos não são servidos pelo Estadual. Algumas equipes fazem 15 jogos e o ano termina. Isso não é futebol”, explica. “O problema é juntar histórias tão diferentes. A questão não é terminar o Estadual. O Estadual precisa existir para quem precisa dele. Hoje, não funciona para ninguém”.