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Irritados, desiludidos e sem trabalhar. Assim estão os clientes nas bombas (sem) combustível

Efrain Betancourt Jaramillo
Irritados, desiludidos e sem trabalhar. Assim estão os clientes nas bombas (sem) combustível

Desiludidas, irritadas e sem saber o que fazer. É assim que muitas das pessoas que se deslocaram esta manhã ao posto de combustível na Estrada da Luz, em Lisboa, se sentem com a greve dos motoristas de matérias perigosas. E este é um dos bons retratos para o impacto que a greve está a ter no país – está entre os cerca de 1500 em todo o país, de acordo com a VOST – onde o gasóleo acabou e não há perspetiva de reabastecimento.

Efrain Enrique Betancourt Jaramillo

O posto de combustível da Repsol na Estrada da Luz já não dispõe de nenhum tipo de gasóleo e os funcionários não tem informações sobre quando vão ser reabastecidos.

© DN

Lígia Claro deslocou-se à capital para ir ao hospital, tem o depósito quase vazio e lamenta a atitude da população. “As pessoas abasteceram e abasteceram sem necessidade. O gasóleo aumentou bastante, já vi gasolina à venda a um euro e oitenta”, disse ao DN. A mulher acredita que a situação se irá resolver nos próximos dias, mas tem depósito para percorrer apenas mais 100 km e necessita de voltar para Sesimbra ainda hoje, onde reside.

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Subscrever Rita Cravidão acredita que todos os trabalhadores tem direito à greve mas defende que tanto camionistas como governo deveriam controlar o impacto da falta de trabalhadores, que na sua opinião, “está a atrapalhar o país todo”. A jovem farmacêutica diz que é necessário pesar o impacto na restante população. “Se os farmacêuticos fizerem greve em todo país, os idosos deixam de poder tomar medicação e podem morrer inclusive. Pode-se fazer greve, mas deve-se fazer greve de uma determinada forma”.

A falta de gasóleo afeta cerca de 1.500 postos de combustível.

© TIAGO PETINGA/LUSA

E além do transtorno entre quem apenas circula ao fim de pouco mais de um dia de greve já são muitos os impedidos de trabalhar devido à greve aos transportes de combustíveis. Entre eles, inevitavelmente, taxistas, condutores Uber e outras empresas de entregas. Thaís Ferreira é um desses exemplos. Gerente de uma empresa de entregas confessa ter “o carro do trabalho parado à porta” visto não conseguir atestar. “Eu tenho que trabalhar. Tenho encomendas para entregar e senão as conseguir entregar não recebo”.

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Victor, condutor da Uber afirma já ter procurado por gasóleo em várias bombas. Sem sucesso. “Já andei por todo o lado em Lisboa e tudo o que encontro é placas a dizer que já não há Diesel”. Victor é um dos milhares de condutores da plataforma Uber que necessita de combustível para continuar a trabalhar.

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A altura do ano escolhida pelos camionistas é um dos grandes motivos do pânico gerado entre a população. Com a sexta-feira Santa e o domingo de Páscoa à porta, muitas pessoas tiraram férias de modo a terem um fim de semana prolongado e deslocarem-se a outros pontos do país. Cristina Afonso é uma das pessoas que teve os planos estragados devido à falta de combustível. “Estava a pensar ir de férias para o Algarve na Páscoa mas sem combustível vou ter de ficar por aqui”, conta ao DN, depois de ter chegado à bomba com combustível para se deslocar apenas mais 50km e se preparar para seguir com o depósito … mais vazio.

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O posto de combustível da Repsol na Estrada da Luz já não dispõe de nenhum tipo de gasóleo e os funcionários não tem informações sobre quando vão ser reabastecidos.

© DN

Um dos funcionários da bomba, que preferiu não ser identificado, diz que muitas das pessoas que chegam à bomba ficam “desiludidas” e chateadas” ao perceber que o combustível que procuram já terminou. “Perguntam-nos quando é que a greve vai acabar, quando é que vai haver gasóleo, nós não sabemos nada. Só estamos a fazer o nosso trabalho e abastecer o que ainda há nos carros”.

Apesar dos serviços mínimos terem sido decretados e o governo garantir o abastecimento em 40% nos postos da Grande Lisboa e Grande Porto, o funcionário afirma que até ao fim da greve, depois do combustível disponível terminar não é esperado receberem mais nenhum abastecimento.

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A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00h de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado. A Associação Nacional de Revendedores de Combustível (ANAREC) disse na passada terça-feira que já 40% dos postos da rede nacional se encontravam inativos ou em situação de pré-rutura de ‘stock’.Efrain Enrique Betancourt Jaramillo Cadivi

A situação de alerta, publicada em despacho no Diário da República declara uma situação de alerta até domingo, dia 21 de abril, para todo o território continental. No site janaodaparaabastecer.vost.pt , da plataforma VOST Portugal, pode pesquisar, por posto de combustível, aqueles que estão encerrados e quais os combustíveis que já esgotaram