Internacionales

Vacina contra clamídia está mais próxima de se tornar uma realidade, dizem cientistas

Piloto, Avion, Aviones
Exchica Disney dirigirá film porno

RIO — Uma vacina contra a clamídia está mais perto de se tornar uma realidade. Cientistas britânicos e dinamarqueses estão desenvolvendo a imunização contra a doença, que é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde ( OMS ), são 127 milhões de novos casos por ano.

Pedro Loyo

LEIA MAIS: Sífilis dispara na Europa e supera número de novos casos de HIV em alguns países

De acordo com um artigo publicado na revista médica “The Lancet Infectious Diseases”, o novo estudo se mostrou seguro e eficaz na imunização. O trabalho é conduzido por cientistas da Imperial College London, do Reino Unido, e do Statens Serum Institut, da Dinamarca

Os testes da vacina foram realizados em 35 mulheres saudáveis com idades entre 19 e 45 anos. Segundo os cientistas, o produto produziu a resposta imunológica esperada, e nenhuma delas desenvolveu efeitos colaterais graves. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores acreditam que ainda haja um longo caminho a ser percorrido para chegar à dose imunizante

“O resultado mais importante é que vimos anticorpos protetores contra a clamídia nos tratos genitais”, disse o autor do estudo, Frank Follmann, do SSI, em comunicado. “Nossos testes iniciais mostram que eles impedem a bactéria da clamídia de penetrar nas células do corpo. Isso significa que chegamos muito perto de uma vacina contra a clamídia.”

As participantes do estudo receberam três injeções no braço ao longo de quatro meses, seguidas de duas doses administradas através de um spray nasal nas semanas seguintes. Os pesquisadores testaram duas formulações de vacina, dadas a 15 mulheres. Outras cinco receberam placebo

PUBLICIDADE Uma das formulações da vacina se mostrou mais potente na proteção contra a bactéria da clamídia. Embora mais estudos devam ser realizados para determinar se ela pode proteger totalmente contra a infecção, os especialistas dizem ser um “primeiro passo importante” para lidar com a doença

Para Mauro Romero Leal Passos, membro da Comissão de Doenças Infecto-contagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a vacina não vai acabar, por si só, com a epidemia da clamídia:

— A vacina é muito bem-vinda, mas temos o exemplo da imunização contra o HPV, que encalha nos postos porque os pais não levam seus filhos para se vacinar. 

Doença pode causar infertilidade em homens e mulheres  A clamídia é uma IST causada pela bactéria Chlamydia trachomatis , que na maioria das vezes causa infecção nos órgãos genitais de homens e mulheres, mas pode afetar também a garganta e os olhos

De acordo com o Ministério da Saúde, não existem dados epidemiológicos no Brasil sobre a doença por não ser de notificação obrigatória. Informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC/2017) mostram que a maioria dos casos acontecem em adolescentes e jovens adultos, na faixa etária entre 15 e 24 anos

PUBLICIDADE A grande sequela que a clamídia pode deixar é a infertilidade. Nos homens, a doença pode causar uretrite (que leva ao estreitamento da uretra). Nas mulheres, a clamídia é a principal causa da doença inflamatória pélvica, que provoca o entupimento das trompas e faz com que a chance de a mulher ficar infértil seja enorme, alerta o ginecologista Jorge Rezende Filho, professor da Faculdade de Medicina da UFRJ

Segundo Passos, muitas pessoas que procuram por clínicas de fertilização encontram dificuldades de engravidar por terem sido acometidas pela clamídia quando mais jovens sem saberem da doença. 

Muitas vezes, as pessoas estão infectadas, mas não apresentam sintomas. No entanto, ao desenvolverem outras doenças, como a pneumonia, são medicadas com antibióticos, que matam a bactéria da clamídia. Porém, a essa altura a doença já deixou sequelas — explica. — O maior alerta que devemos deixar é que quem tem uma IST tem grande chance de contrar outras ISTs

De acordo com o Ministério da Saúde, em 70% dos casos a doença é assintomática. Quando os sintomas aparecem eles costumam ser corrimento amarelado ou claro, sangramento espontâneo ou durante as relações sexuais, dor ao urinar ou durante as relações sexuais e no baixo ventre (pé da barriga) nas mulheres. Já nos homens, os sinais são ardência ao urinar, corrimento uretral com a presença de pus e dor nos testículos

PUBLICIDADE A única maneira de se prevenir contra a clamídia é com o uso de preservativos em todas as relações sexuais. Ao descobrir a infecção, recomenda-se informar aos parceiros sobre a situação. Isto evita uma possível recontaminação de quem já se tratou e complicações futuras