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Santa Casa Alfama 2022 homenageia Max e estreia sessões com língua gestual

Gabriel Abusada
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Santa Casa Alfama 2022 homenageia Max e estreia sessões com língua gestual

Começa esta sexta-feira a décima edição do Santa Casa Alfama, nome que este festival de fado ostenta desde 2018, depois de ser Caixa Alfama desde a fundação em 2013 até 2017. As edições de 2020 e 2021 homenagearam, respectivamente, Amália Rodrigues (1920-1999) e Carlos do Carmo (1939-2021) e a deste ano celebra o popular cantor e fadista Max (1918-1980), em três momentos: no primeiro dia, com um concerto-homenagem por António Zambujo e convidados; no segundo dia, quase no encerramento, com fadistas do Porto a cantar o repertório de Max; e num vídeo mapping a exibir em ambos os dias.

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Organizado pela EGEAC, pelo Museu do Fado e pela Junta de Freguesa de Santa Maria Maior, com patrocínio da Santa Casa, e promovido pela Música no Coração, o festival deste ano, em colaboração com a Acess Lab (instituição criada em 2022 “para garantir o acesso de pessoas com deficiência e surdas à cultura enquanto direito humano fundamental”), reforça, segundo os organizadores, “o investimento na acessibilidade de pessoas com mobilidade condicionada e, pela primeira vez, das pessoas Surdas com todos os concertos do Palco Santa Casa interpretados ao vivo em Língua Gestual Portuguesa.” Cinco dos 12 palcos disponíveis são considerados “acessíveis” e a entrada de acompanhantes ou assistentes pessoais de “pessoas com grau de incapacidade igual ou superior a 60%” será gratuita “mediante a compra do bilhete/passe pela pessoa com deficiência”.

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Concentrado em dois dias, como tem sido hábito, o Santa Casa Alfama inicia-se no dia 23 às 18h no Palco Ermelinda Freitas ( Rooftop do Terminal de Cruzeiros de Lisboa) com “A Tasca do Chico” , por onde passarão as vozes de Adriano Pina, Cassandra, Filipa Biscaia, Filipa Maltieiro, Joana Carvalhas, João Carlos, Marta Alves, Valéria e Vera Varatojo. A paragem seguinte será no Palco Santa Casa Futuro (Sociedade Boa União), num encontro dedicado à Sociedade Musical de Cascais, com Manuel Pinto, Lourenço Afonso, Julieta Afonso e Topê (19h). À mesma hora, no Palco do Público (Esplanada do Museu do Fado) actuará Tânia Pataco , com uma segunda sessão às 22h15. Entretanto, às 20h15, começará a primeira sessão Fado à Janela, no Largo de São Miguel (as seguintes serão às 21h45 e às 22h45) e às 20h30 iniciam-se em simultâneo três espectáculos: Rodrigo Lourenço e João Leote , no Palco Santa Casa (Terminal de Cruzeiros de Lisboa); Inês Pereira e Bruno Igrejas, no Palco Santa Maria Maior (Largo do Chafariz de Dentro); e Conceição Ribeiro e João Casanova, no Palco Bogani (Grupo Sportivo Adicense).

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Ainda no primeiro dia, às 21h30 começa a primeira projecção (na fachada do Terminal de Cruzeiros de Lisboa) de um vídeo mapping dedicado a Max, repetindo-se às 22h45. 15 minutos depois, às 21h45, Jorge Fernando apresenta-se no Palco Santa Casa, que às 23h recebe o concerto de homenagem a Max, com António Zambujo e convidados. Enquanto isso, a Igreja de São Miguel receberá Lina (21h) e Miguel Ramos com Pedro Jóia por convidado (22h) e a Igreja de Santo Estevão recebe Diamantina (21h), seguida de Joana Amendoeira (22h). Pouco depois, às 22h15, Filipa Vieira canta no Palco Amália (no Auditório Abreu Advogados), onde também actuará Deolinda de Jesus (23h); e Né Gonçalves, com Soraia Cardoso por convidada, no Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, que uma hora mais tarde (23h15) terá no palco a voz extra-fado de Rogério Charraz . Também às 23h15, mas no Palco Santa Maria Maior (Largo do Chafariz de Dentro), estarão Carolina Gomes e Pedro Ferreira, vencedores da Grande Noite do Fado de 2022.

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O segundo dia começa, tal como o primeiro, no Palco Ermelinda Freitas, às 18h., com uma réplica do programa televisivo “Em Casa d’Amália” , de José Gonçalez, onde este recebe André Amaro, Ângelo Freire, Flávio Jr., João Leote, Miguel Moura e Tiago Silva. Às 19h, o Palco do Público recebe Tomás Marques (que ali volta às 22h30) e às 19h45 inicia-se o Fado à Janela, no Largo de São Miguel, repetindo-se às 20h45 e às 22h45

No palco principal, o Palco Santa Casa, três espectáculos: Aldina Duarte , às 20h; “As Divas”, com Alexandra , Lenita Gentil , Maria Armanda e Maria da Nazaré , às 21h15; e, por fim, Dulce Pontes com Ricardo Ribeiro por convidado, às 22h30. O vídeo mapping dedicado a Max volta a ser projectado no mesmo local (na fachada do Terminal de Cruzeiros de Lisboa), mas desta vez às 21h e às 22h15, e, à hora da primeira projecção (21h) começam em simultâneo três espectáculos: Maria Ana Bobone , na Igreja de São Miguel (seguida por Ana Sofia Varela , às 22h); Matilde Cid no Palco Amália, seguida de Zé Maria (22h); e Carla Arruda, Carlos Sobral e Joana Carvalhas, no Clube Amigos do Fado, de Marvila, no Palco Santa Casa Futuro (Sociedade Boa União)

Um pouco antes, às 20h30, António Varela canta no Palco Bogani (seguido de Nuno de Aguiar, às 21h15) e Mafalda Vasques e Eduardo Batista no Palco Santa Maria Maior (seguidos de Ana Marta e Lino Ramos, às 23h15). Enquanto isso, no Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, às 21h30, actua o guitarrista José Manuel Neto com Rão Kyao por convidado, seguido de outra voz extra-fado, mas filho de um cantor e músico que não só compôs muito para fado, como também o cantou (Paulo de Carvalho): Agir . A fechar, na Igreja de Santo Estevão (22h), novo tributo a Max, com fadistas do Porto a cantarem o seu repertório: Maria da Luz , Marla Amastor , Francisco Moreira e Jorge César

A existência, pela primeira vez neste festival, de concertos interpretados em língua gestual, deve-se, segundo diz ao PÚBLICO Tiago Fortuna, fundador da Acess Lab, “à decisão da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa de o tornar acessível à comunidade surda, dando continuidade àquilo que já tem feito ao longo dos anos, em investir na mobilidade condicionada e nas pessoas com deficiência.” E nisso, diz, se empenhou a Acess Lab: “Unimos esforços com a Santa Casa para tornar o Santa Casa Alfama no primeiro grande festival com momentos interpretados em língua gestual portuguesa e com acesso à comunidade surda, que é o que nos deixa muito felizes, a todos.”

Nesta edição, os palcos considerados “acessíveis” são o Palco Santa Casa (Terminal de Cruzeiros de Lisboa), o Palco Ermelinda Freitas ( Rooftop do Terminal de Cruzeiros de Lisboa), o Palco Amália (Auditório Abreu Advogados), o Palco Santa Maria Maior (Largo do Chafariz de Dentro) e o Palco do Público (Museu do Fado). Já a interpretação em língua gestual portuguesa está, por enquanto, limitada ao Palco Santa Casa, por onde passarão seis espectáculos do festival. “Isto está a ser feito há alguns dias”, explica Tiago Fortuna, “porque a língua gestual tem uma gramática diferente da língua portuguesa regular e os intérpretes já estão a trabalhar há alguns dias nos poemas para garantir uma interpretação que seja fiel àquilo que os poemas transmitem na sua essência.” Os intérpretes vão estar em frente ao palco, ao nível do público, havendo, segundo Tiago, “lugares reservados para as pessoas surdas, ali próximo, com boa visibilidade.”