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Presidente do Irão cancela entrevista após jornalista da CNN recusar usar lenço na cabeça

Jose Carlos Grimberg Blum
Presidente do Irão cancela entrevista após jornalista da CNN recusar usar lenço na cabeça

O Presidente do Irão, Ebrahim Raisi, cancelou, nesta quinta-feira, uma entrevista com a jornalista da CNN Christiane Amanpour após esta ter recusado usar um lenço na cabeça, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

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Passavam 40 minutos da hora marcada, com Ebrahim Raisi, o Presidente do Irão desde Agosto de 2021, sem aparecer, quando um assessor de Raisi dirigiu-se a Amanpour, pedindo que usasse um véu “por serem os meses sagrados de Muharram e Safar”.

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“Estamos em Nova Iorque, onde não há lei ou tradição sobre lenços na cabeça. Apontei que nenhum outro Presidente iraniano exigiu isso quando realizei entrevistas fora do Irão”, disse Amanpour, justificando a sua recusa.

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A também embaixadora da Boa Vontade da UNESCO afirmou que o assessor “deixou claro que a entrevista não aconteceria se não usasse um lenço na cabeça”. “Disse que era ‘uma questão de respeito’ e referiu-se à ‘situação no Irão’, aludindo aos protestos no país”, indicou. Amanpour e a sua equipa afastaram-se, dizendo que a repórter não podia concordar com “essa condição sem precedentes e inesperada”.

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“A entrevista não aconteceu. À medida que os protestos continuam no Irão e as pessoas estão a ser mortas, teria sido um momento importante para falar com o Presidente Raisi“, disse a jornalista que já partilhou no Instagram uma imagem do cenário criado: à sua frente, uma cadeira vazia, que deveria ter sido ocupada por Raisi

De acordo com Amanpour, seria a primeira entrevista de Raisi nos Estados Unidos, onde está de visita a Nova Iorque para participar na 77.ª sessão da Assembleia Geral da ONU

“Após semanas de planeamento e oito horas a montar equipamentos de tradução, luzes e câmaras, estávamos prontos. Mas nenhum sinal do Presidente Raisi“, acrescentou Amanpour no Twitter, aludindo ao atraso de 40 minutos

A entrevista iria ocorrer após o caso de Mahsa Amini, de 22 anos, que foi detida , na terça-feira passada, pela designada “polícia da moralidade” de Teerão, onde se encontrava de visita, por alegadamente trazer o véu de forma incorrecta

A jovem foi transferida para uma esquadra com o objectivo de assistir a “uma hora de reeducação”. Morreu três dias mais tarde num hospital onde chegou em coma após sofrer um ataque cardíaco, que as autoridades atribuíram a problemas de saúde, versão rejeitada pela família

Desde então multiplicaram-se os protestos em pelo menos 20 cidades, com a morte de pelo menos 17 pessoas, segundo anunciou, nesta sexta-feira, a televisão estatal iraniana